SANTOS, Boaventura de Sousa. Modernidade, identidade e cultura de fronteira. In______ Pela Mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade, 11ª. ed. – São Paulo: Cortez, 2006, cap. 6, p.135-157.
Este trabalho tem como objetivo a questão da identidade, seja ela étnica, ideológica, religiosa, cultural, etc., assim como os seus conflitos, questionamentos dos “sujeitos” entre si e do “super sujeito” o “Estado”. O autor parte de Portugal e da relação deste pais com as suas ex-colônias e aborda em paralelo a situação de Espanha e Inglaterra e suas relações de similitudes. Coloca o continente europeu como epicentro difusor de novos processos de construção identitárias que irão ocorrer nas ex-colônias em America e África, para demonstrar que as identidades “são de resultados sempre transitórios e fugazes de processos de identificação” onde os contatos culturais estabelecerão em suas fronteiras novas identidades (hibridas) no período da modernidade.
Palavras chave: identidade, subjetividade, cultura de fronteira, linha de tensão, sujeito e super sujeito.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Modernidade, identidade e cultura de fronteira. In______ Pela Mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade, 11ª. ed. – São Paulo: Cortez, 2006, cap. 6, p.135-157: O capitulo em estudo tem como característica basilar o estudo de situações focadas no mundo lusófono, com breves incursões na cultura anglo-saxônica, principalmente quando essa apresenta situações de similaridade com a cultura lusitana considerando o colonialismo como um fator de reconstruções identitárias das novas culturas emergentes desse marco temporal (sec. XVI) e dos contatos com as culturas locais ou autóctonas, assim como com as culturas transplantadas. Saindo desse contexto político rumo ao ideológico o texto traz citações de pensadores, filósofos e literatos lusófonos e anglo-saxônicos com Rousseau, Oswald de Andrade, dentre outros. A sintaxe diferenciada do português lusitano, assim como terminologias e vocábulos específicos dessa língua marcam a obra e converte-se em um complicador interpretativo para os leitores brasileiros. No que concerne a temática o texto traz a discussão da identidade no contexto da cultura de fronteira dentro da modernidade. Dentro desse contexto a identidade é definida como um processo dinâmico de mutações que se adéqua aos contatos culturais “Culturas de Fronteiras” tendo como pano de fundo e especial a Modernidade, o que torna a identidade uma adequação temporal e espacial (Cultura / Movimento Cultural). A essa definição agrega-se ainda questões exacerbadas de busca da diferença e de distinções hierárquicas. O fundamental desse estudo reside na demonstração da mutabilidade da identidade, pois ao questionar-se o individuo questiona as hierarquias referenciais e com isso, há uma troca de posições como o outro, ao qual se questiona, o que traz consigo a demonstração de um estado de carência e subordinação. E, para entender tais questionamentos, faz-se necessário atender alguns critérios, tais como o conhecimento do sujeito, das condições em que estão inseridos, a que se destina tais questionamentos, com quais propósitos e quais resultados decorrem dessa circunstância. Através desse contexto, chega-se a um novo marco de interpretação da identidade que caracteriza um antagonismo de sentidos entre o questionamento e a resposta.